Pavilhão de feira internacional Halal com profissionais de negócios analisando dados de inteligência artificial em plataforma de matching comercial — MIHAS 2026, Kuala Lumpur

MIHAS 2026: inteligência artificial, precisão estratégica e o maior evento Halal do mundo em setembro

A 22ª edição do Malaysia International Halal Showcase (MIHAS) acontece de 23 a 26 de setembro de 2026 no MITEC, em Kuala Lumpur, sob o tema “Shaping Trust, Driving Resilience”. Pela primeira vez, o evento integra inteligência artificial em toda a cadeia de facilitação comercial — do matching entre compradores e exportadores até a avaliação dos prêmios. Ao mesmo tempo, a MATRADE reduziu a meta de RM6,05 bilhões (recorde de 2025) para RM4,5 bilhões em 2026, sinalizando uma mudança deliberada de volume para precisão. Para exportadores brasileiros, o cenário é mais estratégico do que nunca.


Desde sua primeira edição em 2004, o MIHAS consolidou-se como o maior evento de comércio Halal do mundo — título agora certificado pelo Guinness World Records, obtido na edição de 2023. Em pouco mais de duas décadas, o evento acumulou quase RM25 bilhões em vendas totais, reuniu mais de 500 mil visitantes e beneficiou aproximadamente 17 mil exportadores e compradores internacionais. A edição de 2026 não será apenas mais uma no calendário: ela representa uma inflexão na forma como o ecossistema Halal global conduz negócios.

A Malásia, que lidera o Global Islamic Economy Indicator (GIEI) há mais de uma década consecutiva, utiliza o MIHAS como vitrine de seu posicionamento estratégico como hub Halal global. Com exportações Halal que atingiram RM68,52 bilhões em 2025 — um crescimento de 10,9% em relação ao ano anterior, representando 4,3% do total exportado pelo país —, o governo malaio tem ambições ainda maiores: elevar as exportações Halal a RM80 bilhões e aumentar a contribuição do setor ao PIB para 11% até 2030, em alinhamento com o Plano Industrial Nacional (NIMP 2030) e o Halal Industry Master Plan (HIMP 2030).

A virada digital: inteligência artificial no centro do maior evento Halal do mundo

O elemento mais disruptivo do MIHAS 2026 não é o número de estandes nem a meta financeira — é a arquitetura tecnológica que sustentará as negociações. A MATRADE anunciou a implementação de um “regulated-by-design AI framework”, integrando ferramentas de inteligência artificial em cada etapa da jornada comercial do evento, do credenciamento à conversão de negócios.

Para compradores internacionais, o sistema utiliza IA para realizar a perfilagem de necessidades de sourcing a partir de RFPs (Requests for Proposals), gerando matches curados com expositores nos 14 clusters da feira. O processo reduz o que a MATRADE chama de “matching lag” — o tempo perdido entre o contato inicial e a reunião qualificada — por meio de agendamento automatizado e notificações instantâneas integradas a CRM, e-mail e WhatsApp. Para expositores, a plataforma realiza onboarding com catalogação de produtos e gera relatórios preditivos de leads de alto valor, com dashboards em tempo real para monitoramento de engajamento e rastreamento de ROI durante os quatro dias do evento.

A inovação não para aí. O Knowledge Hub do evento contará com curadoria assistida por IA sobre padrões Halal, governança e inovações emergentes no setor. Os MIHAS Awards — que reconhecem excelência em produtos e serviços, inovação e sustentabilidade — terão pela primeira vez um jurado assistido por IA, prometendo avaliação mais transparente e eficiente. Há ainda gestão de fluxo de visitantes por heatmaps e ferramentas de tradução multilíngue para acessibilidade em múltiplos idiomas.

O CEO da MATRADE, Encik Abu Bakar Yusof, resumiu a visão por trás dessa transformação digital: “Trust is now a competitive advantage. Buyers want assurance not only that a product is Halal, but also that the claim is governed, verified and sustained over time. Through MIHAS 2026, AI will bridge trust and innovation, giving MSMEs and multinationals equal access to precision-driven opportunities.” A declaração é reveladora: no ecossistema Halal de 2026, a confiança na conformidade passou a ser mensurada, monitorada e entregue por sistemas inteligentes — não apenas declarada.

Essa transformação dialoga diretamente com o National AI Action Plan 2026–2030 da Malásia, que posiciona o país como uma “AI Nation” até o final da década. Embora o plano não mencione explicitamente a certificação Halal como setor prioritário em seu texto, a MATRADE e o HDC (Halal Development Corporation) alinham sistematicamente suas iniciativas digitais — como plataformas de rastreabilidade, detecção de fraudes e gestão de conformidade — ao framework nacional de IA. O 13º Plano da Malásia (2026–2030) também prevê a criação de uma Halal Commission unificada, que consolidará governança, certificação, auditoria e enforcement do selo Halal sob uma única estrutura institucional.

Menos volume, mais precisão: a estratégia por trás da meta reduzida

À primeira vista, a redução da meta comercial do MIHAS 2026 — de RM6,05 bilhões (recorde histórico de 2025) para RM4,5 bilhões — poderia ser lida como recuo. A leitura correta é outra.

Em coletiva de imprensa realizada em 28 de abril de 2026, Abu Bakar Yusof foi direto ao justificar o ajuste: o evento considera os “desenvolvimentos geopolíticos globais e crises internacionais” que estão remodelando os fluxos do comércio mundial. Custos logísticos crescentes, atrasos em embarques, fragmentação de mercados e restrições na movimentação de mercadorias compõem o cenário que levou a MATRADE a calibrar expectativas. A Datuk Bahria Mohd Tamil, Secretária-Geral Adjunta do MITI, reforçou o contexto estratégico: “O setor Halal não é mais apenas um contribuidor para o crescimento — é um habilitador estratégico da transformação econômica.”

A resposta da MATRADE a esse ambiente adverso não foi reduzir o evento, mas reposicioná-lo. O foco passa de métricas de volume — número de apertos de mão, tráfego de visitantes, total bruto de vendas — para a qualidade das conexões e a velocidade de conversão. É uma mudança de paradigma relevante: em vez de maximizar o número de encontros, o MIHAS 2026 quer maximizar o número de negócios fechados. A IA é o instrumento central dessa transição.

O histórico recente sustenta a ambição. Em 2023, o MIHAS obteve o certificado Guinness como maior feira Halal do mundo com 43 mil visitantes e RM3,2 bilhões em vendas. Em 2024, o evento gerou RM4,3 bilhões com mais de 2.000 expositores de 66 nações. Em 2025, bateu o recorde absoluto: RM6,05 bilhões, 2.400 estandes, mais de 50.000 visitantes e mais de 4.000 reuniões de negócios registradas. A 22ª edição chegará com 2.380 estandes, visitantes esperados de 45 países e uma plataforma tecnológica que, segundo a MATRADE, transformará engajamentos em resultados comerciais mensuráveis.

Há também um movimento de diversificação geográfica em curso. A Malásia acelera sua presença em mercados como África, Ásia Central, Ásia do Sul e ASEAN — regiões com alta proporção de população muçulmana e demanda crescente por produtos Halal certificados. O International Sourcing Programme (INSP), que reunirá cerca de 200 compradores internacionais qualificados, e o Hosted Buyer Programme, com 50 compradores premium, são os mecanismos práticos dessa diversificação. O evento também estreia em 2026 o cluster Women in Export (WiEX), dedicado ao empoderamento de mulheres exportadoras no ecossistema Halal — um eixo inédito que reflete a evolução da agenda de governança da MATRADE.

Os 14 clusters e o que há de novo na 22ª edição

O MIHAS 2026 organiza sua oferta em 14 clusters industriais que cobrem toda a cadeia de valor do ecossistema Halal: Alimentos e Bebidas, Ingredientes Halal, Bens de Consumo, Farmacêuticos e Saúde, Cosméticos e Cuidados Pessoais, Moda Modesta, Finanças Islâmicas e Fintech, E-Commerce, Mídia e Recreação, Turismo Muslim-Friendly, Educação, Logística Halal, Tecnologia de Alimentos e o novo cluster WiEX. A amplitude temática é intencional: o MIHAS não é uma feira de alimentos — é uma plataforma de toda a economia Halal.

Essa diversidade tem respaldo nos dados das exportações malaias. Em 2025, o segmento de Alimentos e Bebidas liderou com RM36,86 bilhões (53,8% do total Halal exportado), seguido por Ingredientes Halal com RM21,39 bilhões (31,2%). O óleo de palma e derivados registraram crescimento expressivo de 55%, atingindo RM4,57 bilhões. Os principais destinos das exportações Halal malaias são China, Singapura, Estados Unidos, Japão e Indonésia — mercados que ilustram a amplitude geográfica do alcance da plataforma.

Além da edição principal em Kuala Lumpur, o MIHAS consolida sua presença internacional com a edição satélite MIHAS@Dubai, prevista para 16 a 18 de novembro de 2026 no Dubai World Trade Centre. As edições internacionais do evento — que incluíram MIHAS@Dubai 2024 (RM2,2 bilhões em negócios) e MIHAS@Shanghai 2025 (RM3,2 bilhões em vendas) — demonstram que a marca MIHAS transcendeu o calendário anual de Kuala Lumpur para se tornar uma plataforma de negócios Halal de presença contínua ao longo do ano.

A Malásia vem ao Brasil — e o que vem depois

Para o mercado brasileiro, há uma janela de oportunidade concreta e imediata antes de setembro. A Halal Development Corporation (HDC) da Malásia confirmou a participação de empresas malaias na FI South America 2026, em São Paulo, entre 4 e 6 de agosto, no âmbito do programa “Malaysia Global Halal Show 2.0”. O movimento é estratégico: a Malásia chegará ao Brasil para prospectar parcerias dois meses antes do MIHAS, utilizando São Paulo como ponto de contato com o mercado latino-americano.

O Centro Halal da América Latina acompanhou de perto essa iniciativa e publicou cobertura detalhada sobre a parceria Brasil-Malásia no contexto da FI South America 2026. O evento de agosto funciona, na prática, como um pré-MIHAS para empresas brasileiras: uma oportunidade de estabelecer contatos com compradores e representantes malaios antes de setembro, quando o maior palco do comércio Halal global estará aberto — palco que o Centro Halal já conhece de perto: em setembro de 2025, esteve presente no MITEC, em Kuala Lumpur, acompanhando e cobrindo a 21ª edição do evento.

O dado é relevante porque, nos comunicados oficiais da MATRADE para o MIHAS 2026, a América Latina não figura entre os mercados geográficos prioritários declarados — os focos mencionados são África, Ásia Central, Ásia do Sul e ASEAN. A ausência não é necessariamente negativa: significa que há espaço para que exportadores e certificadoras brasileiras ocupem posições nesse ecossistema antes que a concorrência regional se estruture. O Brasil é historicamente reconhecido pela Malásia como fornecedor de commodities Halal — carnes, proteínas, ingredientes agrícolas —, mas a expansão para produtos industrializados e de maior valor agregado depende de certificação reconhecida internacionalmente e de presença ativa nos fóruns globais do setor.


Fontes: MATRADE — Press Release 28/04/2026 e 17/03/2026; Bernama — 28/04/2026; The Sun Malaysia — 28/04/2026; Business Today Malaysia — 28/04/2026; The Malaysian Reserve — 28/04/2026; BizToday News — 28/04/2026; Verify Halal Wire — 13/05/2026; Halal Development Corporation (HDC) — dados de exportações Halal 2025; mihas.com.my.

O Centro Halal da América Latina® acompanha de perto os principais eventos e movimentos do ecossistema Halal global e assessora empresas brasileiras no processo de certificação com validade reconhecida internacionalmente. Para entender como posicionar sua empresa nos mercados Halal globais — incluindo as oportunidades abertas pelo MIHAS e pela presença malaia no Brasil em agosto —, entre em contato com nossa equipe.


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